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Fracasso Escolar

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Fracasso Escolar
A questão do fracasso escolar e o sucesso escolar há muito vem sendo debatida por profissionais e estudiosos, que de alguma maneira, tentam explicar o insucesso de crianças em idade escolar  
Neste texto, três autoras serão comparadas em suas produções sobre o tema. De um lado estão Clarissa Golbert e Sonia Moojen e do outro Sandra Sawaya.
 É preciso ressaltar que todas contribuiram grandemente para a investigação e compreensão da complexidade que envolve os distúrbios de aprendizagem.  
 Golbert e Moojen citam questões importantes como crianças rotuladas, impulsividade, desatenção e indisciplina. Usam o cubo de Syracuse como representação da multiplicidade de fatores determinantes do fracasso e do sucesso escolar. Retiram o foco da criança como sendo suas insuficiências os únicos fatores da não-aprendizagem. Colocam o professor como um agente importante dentro da sala de aula, devendo ter posturas que propiciem um ambiente adequado para o desenvolvimento do aluno  .
 Sandra Sawaya, estudiosa que abre um espaço de novas perspectivas sobre o fracasso e o sucesso escolar, questiona teorias que acabavam excluindo classes menos favorecidas do sucesso escolar. A sua análise direciona-se para questões mais sociais e vê a instituição escolar como uma organização social produtora do fracasso escolar.
 Sawaya questiona medidas educacionais adotadas nos tempos atuais, mas que não mudam o quadro de evasão, nem de fracasso escolar, pois a escola continua com a visão de alunos pobres como incapazes  
 Ambas produções colocam o professor em lugar de destaque, porém Sawaya cria um espaço diferente de atuação do professor. Já não é ele, sozinho, que tenta encontrar saídas para escolarizar seus alunos. Cria-se, então, um grupo chamado de agentes educacionais que são formados pela equipe técnica, alunos, pais, professores e funcionários. Juntos podem expressar suas práticas, suas concepções e as relações escolares, promovendo práticas alternativas para os problemas encontrados dentro do ambiente escolar  
 "Decorre daí a necessidade de instrumentalizar o futuro professor bem como o professor em exercício, para pensar ativamente a realidade escolar e sua própria inserção nela, permitindo uma visão de mundo, da escola, de seu papel social, de seus alunos e de seu relacionamento inserida numa compreensão mais ampla da realidade social brasileira" (Sawaya)  
 Analisando as escolas dos dias de hoje, é certo que ela não é a mesma em todos os lugares, isto é, não assume as mesmas características. Ela assume um papel específico diante das questões sociais que se apresentam. É claro que a prática pedagógica adotada pela escola faz diferença, mas as questões surgidas dentro da escola fazem parte da escola e as soluções devem surgir dentro deste contexto escolar. Uma equipe semelhante a que Sawaya relata no seu texto pode ser um grande passo para a problematização e promoção das transformações necessárias  
 Esta equipe serve para ouvir a criança, ouvir os pais, ouvir os professores e assim forma-se um espaço aberto para discussão, para livre expressão e diálogo amplo, onde as questões não são direcionadas a uma visão reducionista, voltadas para uma análise isolada do aluno. Não se busca um aluno ideal, mas o potencial que há em cada um. Por exemplo: um espaço onde se vai ouvir o que tem a dizer um adolescente desinteressado. O que ele quer? Qual mensagem está dando ao se fechar para a aprendizagem?</p>
 Um espaço onde se questiona as expectativas da escola em relação ao aluno e expectativa dos pais em relação ao futuro escolar de seu filho. Um espaço onde outros profissionais também atuam, através de cursos, palestras ou orientações  
 Um espaço onde a família vai interagir de forma positiva, ajudando seus filhos na construção do conhecimento, auxiliando outros pais que estão com dificuldades na aprendizagem de seus filhos. Trazendo valiosas informações a respeito da escola e da vida de antigamente. Das mudanças nos jogos de rua para os jogos de cadeira, isto é, jogos de computador  
 Porém, o que se vê é uma volta aos antigos conceitos. Velhas formas de se pensar. A sociedade precisa rotular para tirar esse mal-estar produzido pelos fracassos. Então encontra-se, a visão reducionista e organicista imperando novamente. As crianças, hoje, recebem um "carimbo" que as caracterizam como DDA ou Bipolar ou Dislexa. Os médicos preescrevem remédios, ao invés de ouvir a família. Trata-se o sintoma, mas não as causas destes sintomas. As consultas são rápidas e bastam duas palavras para o neuropediatra receitar "Ritalina": inquietude e desatenção!</p>
 O homem pós-moderno quer rapidez, pois não tem tempo para investigação, para falar e ouvir. Quer respostas rápidas e prontas. Muitas famílias se aliviam ao saber que seu filho "tem um problema" e o médico vai receitar um remédio. Não conseguem ter a idéia de que este "problema" pode ser sintoma de um "problema" familiar  
 De que maneira pode-se mudar esta realidade? Creio que uma das soluções seja incorporar o profissional psicopedagogo à escola  
 É necessário que o psicopedagogo esteja na instituição escolar, junto com esta equipe, no diálogo com os pais, professores, alunos, funcionários e comunidade. Ouvindo, orientando e aplicando técnicas que visam amparar o grupo, abrir caminho para soluções e construindo juntos a prática pedagógica libertadora e possibilitadora de transformação social  

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